domingo, 14 de junho de 2009

António Feijó - O Amor e o Tempo e DALI







-Perguntava a minha irmã: E não se pode parar um pouco os ponteiros do relógio para se aproveitar melhor o tempo? recordei como o tempo é traiçoeiro e lembrei-me deste poema, que aqui vos ofereço

O Amor e o Tempo

Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.

— «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
— «Porque voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» — Nesse momento,

Volta-se o Amor e diz com azedume:
— «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!

António Feijó, in 'Sol de Inverno'

5 comentários:

aurea disse...

Não conhecia!Mas é lindo, adorei...Bjo
É verdade e já me esquecia...A Bruna gostou muito, muito da estrelinha, mas ficou à esprea que lhe mostre(no campo) o girassol.
Contei-lha, depois de mim , contou-lhe a mãe. No outro dia foi buscar o livro e contou ela para nós.bjo

Leonor Lourenço disse...

No jardim depois de ler o livro semeei girassóis com as crianças que estão quase a aparecer.
Fico muito feliz por ela ter gostado. São os críticos mais verdadeiros e leais.

Beijinho para as duas.

aurea disse...

No Jardim (por coincidência), tinha-mos lá um, que está quase a abrir...bjo

Presépio no Canal disse...

Adorei o poema :) não conhecia!

Beijinho e obrigada pela partilha :)

Leonor Lourenço disse...

Apareça sempre :)