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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Garota que lê

Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas. Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.

Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.

Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro.

Compre para ela outra xícara de café.

Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito. E se ela conseguir não será por sua causa.

É que ela tem que arriscar, de alguma forma.
Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo.

Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois.

Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.

Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo.

Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype.

Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.

Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê.

Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.

Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico
Tradução e adaptação – Gabriela Ventura

terça-feira, 3 de abril de 2012

deceção

Afinal não foi Portugal o primeiro país a acabar com a pena de morte, mas sim a Venezuela? Não gostei de saber :(

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Onde?


"Onde repousar a tristeza que cansa?" LL

O poder das palavras




"Sê paciente, deixa que a palavra amadureça e se desprenda como um fruto ao passar o vento que a mereça"
Eugénio de Andrade

"Se eu compreendesse o poder das minhas palavras, teria muito cuidado com o que digo"

Louise L. Hay

sábado, 12 de novembro de 2011



"Suavemente me entrego a ti,
mas sinto, sei,
que algures,
num recôndito da alma me perdi"

Letra e pintura de Leonor Lourenço

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Exupery

"Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós" (Exupery)

terça-feira, 3 de maio de 2011

Os nossos amiguinhos

Quem tem animais entende-me. O meu gato andava triste, quando acariciado, não ronronava e se eu o acariciava esticava as pernitas a impedir. Soltou miados de sofrimento. Levei-o para ser observado, claro !
Cheguei há pouco do vet. O meu gatinho ficou logo na clínica, tem infecção urinária. Terá de colocar algália durante dois ou três dias-esta é a parte mais positiva. Se atacou os rins...vou sofrer!
Vamos ver. Quero tanto voltar a dar-lhe miminhos... curioso não sabia porque ele andava a deitar tanto pelo, pensei que fosse uma fase. Ficam a saber que isso acontece quando andam mais debilitados ou com stress. Espero voltar a colocar aqui fotos do meu gatinho lindo. Torcem por isso!
Beijinhos a todos que partilham e com quem partilho pequenos mas intensos momentos que fazem parte do meu mundo.

sábado, 23 de abril de 2011

Sempre actual - Brecht

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A Profissão Professor Desaparece

Segue-se um extracto duma entrevista de Mário Crespo a José Gil, que passou na Sic Notícias. São palavras absolutamente sinceras e verdadeiras as do filósofo e professor, tão sinceras e verdadeiras que deviam fazer parar o país para pensar no rumo que tomará, ou que está a tomar, pelo facto de os bons professores serem obrigados a desistir de ensinar: por abandono da profissão, por fadiga, por desnorte...

Mário Crespo: Uma estratégia seguida por este Ministério (…) é exigir ao professor uma ocupação total na sua tarefa, total, para lá das horas do humanamente aceitável (…) para lá das 35 horas obrigatórias, para dentro das pausas lectivas – expressão nova –, o trabalho do professor deve integrar e devorar o tempo de vida privada, de lazer (…), professor só pode ser professor (…) deixa de ser homem, deixa de ser mulher...

José Gil: Isso é quase um homicídio da profissão. A profissão de professor desaparece. Desaparece, porque é impossível fazer isso (…). Estou a lembrar-me de Paul Lenoir, um poeta, que dizia que para fazer boa poesia é preciso não fazer nada (…). É preciso que haja pausa, desafio, reflexão ruminação (….). Eu sou professor, sei que estou a defender a minha causa, mas há vocações extraordinárias, muito maiores que a minha, muito mais admiráveis que eu vejo em professores do secundário, por exemplo (...) pessoas que gostam de ensinar, que adoravam fazer o que estavam a fazer e essas pessoas vão-se embora, foram-se embora (…) sobretudo (…) porque ficam tão desgostosas por elas mesmas, por terem que fazer qualquer coisa que não gostam, que lhes destrói uma missão...

Retirado na íntegra de Rerum Natura

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

De Clarice Lispector...

"Eu sou um ser totalmente passional.
Sou movida pela emoção, pela paixão ...tenho meus desatinos...
Detesto coisas mais ou menos...
Não sei conviver com pessoas mais ou menos...
Não sei amar mais ou menos...
Não me entrego de forma mais ou menos...
Se você procura alguém coerente, sensata, politicamente correta, racional, cheia de moralismo...ESQUEÇA-ME!
Se você sabe conviver com pessoas intempestivas, emotivas, vulneráveis, amáveis, que explodem na emoção...ACOLHA-ME!!!
Se você se assusta com esse meu jeito de ser ... AFASTE-SE...
Se você quiser me conhecer melhor...APROXIME-SE!!!
Se você não não gosta de mim, IGNORE-ME...
E quando eu partir.....NÃO CHORE

sábado, 25 de setembro de 2010

OS SONHOS PERMANECEM


Permanecem e deixam sementinhas...
A minha amiga Áurea que tive o prazer e felicidade de conhecer pessoalmente e muitas vezes vinha a meu blog deixar palavras de carinho tem um blog dedicado por quem a ama e lhe quer prestar homenagem. Veja aqui

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Queen - Friends will be Friends

Aos amigos de infância, aos que o foram e deixaram de ser, aos amigos reencontrados, aos amigos "idos", mas que continuam em nós, aos amigos que acreditamos que permanecerão, esta é para vós:

sábado, 11 de setembro de 2010

A Solidão


Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência
de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às
vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe
compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio
da natureza. Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância. Solidão é muito mais do que isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....
Francisco Buarque de Holanda

Recordando, pensando, sentindo ...



Ludovico Einaudi Calore - Illustrazioni di Nicoletta Ceccoli

Esta é para avó. Acho que iria gostar e viria cá dizer que "é lindo Leonor" :)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A Áurea



Um abraço do tamanho do mundo e um sorriso de esperança. Partilhava a sua vida em forma de poema. Hoje, a missa no fim ,parecia uma tertúlia, as pessoas a dedicarem-lhe poemas. Lindo!
Era uma excelente contadora de histórias ...e sempre fazia por promover os amigos. Pois até o padre no fim, contou uma história, não da Bíblia, mas uma história simples fazendo analogia à sua vida de partilha e semente da palavra. Foi emocionante. O seu funeral foi como a sua vida. INTENSA.
Saí a entender porque nos cruzámos na vida. Triste, mas a sentir o seu abraço que vou retribuindo, lembrando-me do seu sorriso e modo de
ser e abrindo mais os meus braços.
Repito que lhe disse várias vezes "És linda"