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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Show must go on



Circo

No circo cheio de luz
Há tanto que ver!...

"Senhores!"
-Grita o palhaço da entrada,
Todo listrado de cores-
"Entrai, que não custa nada!
À saída é que se paga..."
..................................
O palhaço entrou em cena,
Ri, cabriola, rebola,
Pega fogo à multidão.

Ri, palhaço!

Corpo de borracha e aço
Rebola como uma bola,
Tem dentro não sei que mola
Que pincha, emperra, uiva, guincha,
Zune, faz rir!
.....................................

in As Encruzilhadas de Deus, José Régio

Postado por Fernando Martins do blog Geopedrados, mas que me parece adequado aos momentos que vivemos actualmente

Vinicius de Moraes


Ler Vinicius torna-se um "vícios"

"A vida só se dá pra quem se deu, prá quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu"

Real e imaginário


"As figuras imaginárias têm mais relevo e verdade que as reais". Fernando Pessoa

Até onde vai a imaginação? até que ponto a nossa visão do real está imbuída de fantasia?
Quantas vezes não se confundem e se fundem?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Slêncio

...Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas ...
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
...

Miguel Torga


Foto que tirei em S. Pedro de Moel

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Acho este trabalho absolutamente espantoso da Marina. Veja aqui

















AS FADAS


As fadas...eu creio nelas!

Umas são moças e belas,

Outras, velhas de pasmar...

Umas vivem nos rochedos,

Outras, à beira do mar...


Algumas em fonte fria

Escondem-se, enquanto é dia,

Saem só ao escurecer...

Outras, debaixo da terra,

Nas grutas verdes da serra,

É que se vão esconder...


O luar é os seus amores!

Sentadinhas entre as flores,

Ficam horas sem fim,

Cantando suas cantigas,

Fiando suas estrigas,

Em roca de ouro e marfim.


Umas têm mando nos ares;

Outras, na terra, nos mares;

E todas trazem na mão

Aquela vara famosa,

A varinha de condão!


Mas com tudo isto, as fadas

São muito desconfiadas:

Quem as vê não há-de rir,

Querem elas que as respeitem,

E não gostam que as espreitem,

Nem se lhes há-de mentir.


E têm vinganças terríveis!

Semeiam coisas horríveis,

Que nascem logo do chão...

Línguas de fogo,que estalam!

Sapos com asas, que falam!

Um anão preto! Um dragão!


Quantas vezes, já deitado,

Mas sem sono, inda acordado,

Me ponho a considerar,

Que condão eu pediria,

Se uma fada, um belo dia,

Me quisesse a mim fadar...


Oh, se esta noite, sonhando,

Alguma fada, engraçando

Comigo (podia ser)

Me tocasse coa varinha

E fosse minha madrinha,

Mesmo a dormir, sem a ver...


E que amanhã acordasse

E me achasse... eu sei! me achasse

Feito um príncipe, um emir!...

Até já, imaginando,

Meus olhos se estam fechando...

Deixa-me já já dormir!


Antero de Quental

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Um novo ano

Viva este ano da forma mais plena e intensa que lhe for possível.

Se, depois de eu morrer...

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Álvaro de Campos

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Protesto

Martin Niëmoller:

"Eles começaram perseguindo os comunistas,
e eu não protestei, porque não era comunista.
Depois, vieram buscar os judeus,
e eu não protestei, porque não era judeu.
Depois ainda, vieram buscar os sindicalistas,
e eu não protestei, porque não era sindicalista.
Aí, vieram buscar os homossexuais,
e eu não protestei, porque não era homossexual.
Aí então, vieram buscar os ciganos,
e eu não protestei, porque não era cigano.
E depois, vieram buscar os imigrantes,
e eu não protestei, porque não era imigrante.
Depois, vieram me buscar.
E já não havia ninguém para protestar"

domingo, 20 de dezembro de 2009

Bairro Livre


















Meti o bivaque na gaiola
e saí com um pássaro na cabeça
- Então, não se faz a continência?
- Não, não se faz a continência
respondeu o pássaro
- Ah bom
desculpe julgava que se fazia a continência
disse o comandante
- Ora essa! Toda a gente se pode enganar
disse o pássaro

De Jacques Prévert
tradução de Eugénio de Andrade

Foto tirada por mim- passarinhos que nasceram na minha varanda e que ainda hoje me lembro deles com saudade daqueles momentos em que me perguntava enquanto trabalhava- será que já fizeram o seu primeiro voo, arriscaram a sua primeira aventura?

Mas não, aguardaram que eu estivesse em casa e pudesse presenciar tudo. Foram momentos emocionantes por eu ter podido assistir a tudo, desde a mãe em cima dos ovinhos, ao seu nascimento e até ao seu adeus.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Pablo Neruda









Morre lentamente
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Morre lentamente...

domingo, 11 de outubro de 2009

Alegria




A imensa alegria de servir
Toda natureza é um anelo de serviço.
Serve a nuvem, serve o vento, serve o sulco.
Onde houver uma arvore para plantar,
planta-a tu;
onde houver um erro para corrigir,
corrige-o tu;
onde houver uma tarefa que todos recusem,
aceita-a tu.

Sê quem tira
a pedra do caminho,
o ódio dos corações
e as dificuldades dos problemas.

Há a alegria de ser sincero e de ser justo;
há, porém, mais que isso,
a imensa alegria de servir.

Como seria triste o mundo
se tudo já estivesse feito,
se não houvesse uma roseira para plantar,
uma iniciativa para lutar!

Não te seduzam as obras as obras fáceis.
É belo fazer tudo
que os outros se recusam a executar.

Não cometas, porém, o erro
de pensar que só tem merecimento executar
as grandes obras;
há pequenos préstimos que são bons serviços:
enfeitar uma mesa.
arrumar uns livros.
pentear uma criança.
Aquele é quem critica,
este é quem destrói,
sê tu quem serve.

O servir não é próprio dos seres inferiores:
Deus, que nos dá fruto e luz,
serve.
Poderia chamar-se: o Servidor.
e tem seus olhos fixos em nossas mãos
e nos pergunta todos os dias:
- Serviste hoje?

Gabriela Mistral, poetisa chilena (1889-1957)

Idalina - Obrigada pelas imagens lindas que me enviaste de Outono. Esta é uma delas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O Amor e o Tempo




Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.

– "Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!"

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento...
– "Por que voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?" – Nesse momento

Volta-se o Amor e diz com azedume:
– "Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!"


António Feijó

sábado, 26 de setembro de 2009

Oração CELTA


Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a música seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.

(Foto retirada da Net, não é de minha autoria)

A oração foi "usurpada" do blog lindo de Sónia Veja aqui:

sábado, 22 de agosto de 2009

Mãos vazias


«Tenho os olhos cheios de estrelas/
e mãos vazias que sabem esperar».
Ana Maravilhas
Não amo a cor dos olhos.
amo o olhar.
Não amo a brancura dos dentes.
amo o sorriso.
Não amo o contorno dos lábios.
amo o beijo.
Não amo o formato dos braços.
amo o abraço.
Não amo o alongado dos dedos.
amo a caricia.
Não amo as curvas das pernas.
amo o andar.
Não amo o volume dos seios.
amo o aconchego.
E que bom não seja isto uma escultura
seja apenas um poema a toa
Porque não amo um corpo.
amo uma pessoa.

Moacyr Sacramento

Poema que achei muito lindo. Retirei de um dos bogs que mais gosto de visitar. o Blog da Sónia - Um vento na ilha

sábado, 1 de agosto de 2009

Melancolia

Balada da Neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim...

É talvez a ventania;
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento, com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
de uns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
- depois em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos... enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza...
– e cai no meu coração.

Balada da neve - Augusto Gil